Normalmente, os recursos aplicados em poupança possuem como finalidade a formação da reserva de emergência, manter o dinheiro parado em conta ou realizar um sonho daqui alguns meses, talvez em poucos anos. Portanto, é um investimento conservador, protegido, que queremos ter acesso a qualquer momento.
Neste artigo, citarei quatro categorias de investimentos melhores que a poupança, produtos que vão trazer para você rendimentos superiores a esta opção já ultrapassada, com talvez características até melhores em relação à liquidez e à segurança.
Fundos DI
Em um outro artigo, abordei sobre as vantagens do Tesouro Selic, sendo ele um dos investimentos melhores que a poupança e considerado o produto mais próximo dela em termos de segurança e rentabilidade. O segundo produto mais próximo trata-se dos Fundos DI.
Ao investir em um Fundo DI, você está transferindo o seu recurso para cotas do fundo que compra títulos públicos protegidos pelo Tesouro Nacional, ou seja, para a maior garantia que existe no mercado. A diversificação e a alocação predominantemente em títulos públicos reduzem significativamente as chances de uma quebra.
Por ser uma modalidade de fundo que investe em títulos públicos, a sua rentabilidade também será próxima da Taxa Selic. No entanto, é necessário avaliar a taxa de administração deste fundo (abaixo de 0,2% ao ano) e o histórico de rentabilidade (próximo a 100% do CDI) para tomar esta decisão.
A rentabilidade do Fundo DI também é superior à da poupança. Segundo a regra da poupança, com a Taxa Selic menor ou igual a 8,5% ao ano, o seu rendimento é de 70% da Taxa Selic. Então, ao investir em um bom Fundo DI, você terá um rendimento na casa de 100% do CDI (entenda o que é CDI neste artigo), enquanto a poupança renderá apenas 70% da Taxa Selic.
Quando a Taxa Selic fica acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% acrescida da Taxa Referencial (TR). Neste caso, a diferença de rentabilidade pode ser ainda maior, pois um Fundo DI pode render 9,15% ao ano (considerando o CDI de jan/22), enquanto a poupança renderá 6,17% ao ano + TR (aproximadamente 67% do CDI).
Obviamente existe a tributação sobre a renda fixa que, em um cenário de médio a longo prazo, terá uma alíquota de 15% de IR ainda proporcionando ao Fundo DI um rendimento de 85% do CDI. Em um cenário de curto prazo você tem uma alíquota de 22,5%, deixando para você um resultado acima dos 70% do CDI ou 67% do CDI (levando em consideração um CDI de 9,15% ao ano) que a poupança gera.
Os bons Fundos DI possuem liquidação financeira em D+0. Isto quer dizer que o seu recurso será disponibilizado no mesmo dia da solicitação do resgate, desde que respeitados os horários apresentados em seu regulamento.
Portanto, os Fundos DI, por terem uma segurança igual ou maior que a poupança e um rendimento sempre superior a ela, trazem para você também um resultado superior.
CDBs
Uma categoria de produtos a ser levada em consideração é a dos CDBs. O CDB, quando bem selecionado, normalmente renderá 100% ou mais do CDI. De novo estamos naquela condição de investimentos melhores que poupança.
No entanto, alguns CDBs têm liquidez limitada, com um período de carência para você poder sacar. Dessa forma não vão permitir que você saque o dinheiro antes do prazo predeterminado. Porém, estou falando de CDBs com rentabilidade mais elevada, que podem chegar até 150% do CDI, quando se pesquisa os melhores produtos que existem no mercado hoje.
Para liquidez imediata, atualmente já é padrão encontrar no mercado ganhos entre 100% e 105% do CDI. Portanto, se você tem recursos mesmo que não muito volumosos, poderá acessar um CDB de rentabilidade bem superior da poupança, com liquidez também imediata.
ETFs
Tirando os produtos de liquidez instantânea ou comportamento muito parecido com a poupança, o produto que eu recomendo que você considere são os ETFs de renda fixa ou fundos de índice de renda fixa.
O mais comum acompanha o IMA-B, um índice que acompanha a cesta de títulos públicos de vencimentos variados, indexados à inflação medida pelo IPCA. Quando se analisa no longo prazo, o IMA-B vai representar a variação das taxas consideradas nestes títulos.
É preciso ter um pouquinho de experiência na renda fixa para aproveitar esse produto. Às vezes, no período de mudança de taxas, você pode ter um rendimento um pouco acima da média, e isso pode encantar aqueles menos experientes. Porém, também é possível que alguns títulos da cesta de IMA-B tenha uma perda de resultados e apresente uma perda momentânea na sua carteira.
Pensando no longo prazo, o IMA-B, com uma volatilidade que não é comum na poupança, vai entregar um resultado maior do que você teria na renda fixa. Não é um produto recomendável para objetivos de curto prazo, como a formação da reserva de emergências, mas leve em consideração se tratar de um produto de renda fixa que vai trazer um resultado a médio e longo prazo provavelmente superior ao da Taxa Selic.
Produtos de captação de crédito
O quarto produto que eu recomendo ser considerado, quando se leva em consideração a busca de ganhos previsíveis na renda fixa, são os chamados produtos de captação de recursos para crédito pelos bancos.
Entram nessa categoria LCAs, LCIs, CRAs, CRIs e Letras Hipotecárias. São os títulos oferecidos para quem já tem um patrimônio maior ou pode abrir mão de liquidez.
Normalmente a rentabilidade desses produtos é superior a dos CDBs mais generosos do mercado – a característica deles é ter isenção de imposto de renda – e com isso você consegue fazer um resultado de longo prazo mais interessante.
A limitação é que você não poderá sacar a qualquer momento, por isso já não se compara diretamente com a poupança.
Não esqueça a data de aniversário da sua caderneta de poupança
Não deixe de levar em consideração que os recursos investidos na Caderneta de Poupança são remunerados mensalmente no mesmo dia em que foi feita a aplicação (data de aniversário). Ao resgatar pouco antes da data de aniversário, a rentabilidade do último mês é perdida, fazendo da Caderneta de Poupança uma péssima escolha para investimentos de curtíssimo prazo.
Isso faz com que a poupança resgatada em um dia intermediário tenha um desempenho substancialmente inferior ao que você teria em um produto de rentabilidade e liquidez diária.
Conclusão
O segredo para multiplicar bem o seu capital está em fazer boas escolhas. Os exemplos acima foram para apresentar que existem opções mais rentáveis que a poupança, com a mesma segurança e liquidez.
Quando se pensa em um planejamento de longo prazo, provavelmente a parcela de renda fixa dessa carteira pode estar em ativos mais rentáveis e com menor liquidez. A questão é: identificar a sua necessidade, quais são os produtos que se encaixam nessa necessidade e não desperdiçar a oportunidade de investir naqueles produtos que melhor vão multiplicar o seu capital.
Sucesso em suas escolhas.
Gustavo Cerbasi
Cerbasi é um parceiro de conteúdo do BTG Pactual digital. Consultor, professor, palestrante, autor de 16 livros com mais d